sábado, 17 de março de 2012

Desconcordando

por mais que ame o que te escorre
há um gosto angustiante
a me prender no átimo que separa
o desejo indébito do saber incógnito


bem sabes que - como tu -
me alegra o bailar das consoantes
e das vogais e dos espaços
que as abrigam


mas sabes que assobio hinos
onde pretendes boleros;
que procuro gerúndios
onde brincas de pretérito;
que busco rotas
onde desejas portos;

sabes da minha pouca intimidade
em procurar-me onde posso não estar;


poderia receber-te diferente
é verdade - seria justo, lídimo e rico -
mas sabes que não tenho mais jeito


assim, ...
eu te amo


vou me perder nas páginas
de algum livro
imaginando passeios em teus jardins;
sublimar a letra de tua música
e me alimentar de tua melodia;


serei teu
sempre que a teu chamado
ou a meu colo
serei nosso, entre um ato e outro
serei meu, num e noutro


 

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